O Ministério do Pastor
Brian Croft

Reação literária à obra de Brian Croft
Por Pr. Reginaldo Cresencio
13/02/2026
Há livros que informam. Outros instruem. E há aqueles que, pela graça de Deus, nos pastoreiam enquanto os lemos. O Ministério do Pastor, de Brian Croft, pertence a esta última categoria.
Em um tempo no qual o ministério pastoral sofre constantes pressões para se adaptar à lógica do mercado, à cultura da performance e às métricas do sucesso visível, Croft nos conduz de volta ao chão firme das Escrituras. Ele não escreve para impressionar, mas para alinhar o coração pastoral ao padrão bíblico. E isso, em si, já é um serviço precioso à igreja contemporânea.
A tese do livro é simples e profundamente contracultural: o pastor é chamado antes de tudo à fidelidade, não à visibilidade, não à inovação constante, não ao crescimento numérico a qualquer custo, mas à fidelidade diante de Deus e de Sua Palavra.
Croft estrutura sua reflexão a partir das prioridades que emergem do Novo Testamento. A pregação expositiva ocupa lugar central, não como técnica homilética, mas como convicção teológica: Deus governa Sua igreja por meio de Sua Palavra. Quando o púlpito se afasta das Escrituras, a igreja inevitavelmente se fragiliza. Quando o pastor se torna um comunicador de ideias próprias, ainda que bem-intencionadas, ele deixa de ser servo da Palavra para se tornar gestor de opiniões.
Mas Croft não reduz o ministério à pregação apenas, ele insiste no cuidado pastoral pessoal, no acompanhamento das ovelhas, na disciplina amorosa, na visitação, na formação espiritual da congregação. O pastor não é apenas proclamador; ele é guardião de almas[1]. Seu chamado envolve lágrimas, tempo investido em conversas discretas, intercessão silenciosa e disposição para sofrer com o rebanho.
Um dos aspectos mais tocantes do livro é sua ênfase na vida interior do pastor. Antes de cuidar da igreja, o pastor deve cuidar da própria alma. Antes de liderar outros, deve permanecer prostrado diante do Senhor. Croft nos lembra que o ministério não sustenta o pastor; é Cristo quem o sustenta. A negligência da vida devocional, a superficialidade espiritual e a substituição da oração pela administração são sintomas de um ministério que já começou a se desviar de suas prioridades bíblicas.
Teologicamente, a obra está ancorada em uma eclesiologia saudável e em uma visão elevada da soberania de Deus. O pastor não constrói a igreja; Cristo a edifica. O pastor não é o redentor do rebanho; é apenas um subpastor, um mordomo. Essa consciência protege contra o orgulho e também contra o desespero. Se os frutos pertencem ao Senhor, a responsabilidade do pastor é permanecer fiel.
Ao ler este livro, fui inevitavelmente conduzido a revisitar minha própria caminhada na Igreja Batista Raízes. Ao longo de mais de duas décadas de ministério, aprendi que as maiores batalhas do pastor não são necessariamente públicas. Elas acontecem no coração, no modo como lidamos com o cansaço, com as críticas, com as expectativas, com as frustrações e até com o silêncio de Deus em determinados momentos.
Croft me lembrou de algo que a experiência pastoral já vinha ensinando, o crescimento saudável da igreja não nasce da pressa, mas da perseverança; não da criatividade constante, mas da constância fiel; não da centralidade do pastor, mas da centralidade de Cristo.
Na IBRA, temos buscado com nossas limitações e dependência da graça, manter essas prioridades: pregação fiel da Palavra, cuidado pessoal das ovelhas, formação doutrinária sólida, vida de oração e compromisso com a santidade. Nem sempre é o caminho mais visível. Nem sempre é o mais aplaudido. Mas é o caminho que preserva a igreja.
Este livro reforçou em mim a convicção de que o ministério pastoral é, antes de tudo, um chamado à fidelidade silenciosa. É permanecer quando seria mais fácil recuar. É amar quando se está ferido. É continuar pregando a mesma verdade antiga com a mesma convicção, mesmo quando o mundo exige novidades.
Se algo desejo para a Igreja Batista Raízes é que sejamos uma comunidade moldada não por modismos eclesiásticos, mas por prioridades bíblicas permanentes. E se algo peço em oração é que Deus me conceda perseverar fiel até o fim, não necessariamente grande aos olhos dos homens, mas aprovado pelo Senhor da igreja.
Recomendo esta obra com humildade. Que ela pastoreie outros pastores. Que fortaleça igrejas. E que nos ajude a manter o coração alinhado Àquele que é o Supremo Pastor.
Bibliografia
CROFT, Brian. O ministério do pastor: prioridades bíblicas para pastores fiéis. São José dos Campos: Fiel, 2020.
[1] Hebreus 13.17
